Sua arte tem tanta verdade que constrange. Corinne canta com tudo o que tem e só ela tem. Por isso envolve e aprisiona. Algo como um perfume fechado, quente, suave que some no ar, mas marca a memória.
Corinne compõe sobre o assunto que melhor conhece: Sua vida, seus amores, seus temores. Fala sobre o amor da mãe, a relação com o marido (que faleceu há dois anos) fala de tardes regadas a azeitonas e champanhe, assistindo musicais antigos em preto e branco na companhia de seu marido nu.
Apesar de tocar guitarra, Corinne costumava fazer letra e melodia enquanto o marido harmonizava as canções. Ela, o marido e a música formavam um triângulo amoroso em perfeita harmonia.
Corinne não usa a beleza para seduzir o publico, e nem precisa: pouca maquiagem, corpo bem coberto, o que está à mostra é sua alma.
Sua extensão vocal é pequena, tem as mãos desajeitadas e não sabe se portar no palco.
Dentro de um limite comum a muitas mulheres que cantam razoavelmente bem, ela faz maravilhas: melodias muito originais, timbre peculiar, surpresas a cada nova frase que canta.
É romântica, no palco sua voz é instrumento de uma entrega, feita com doçura e plenamente. Tudo em sua arte é leve. Até a morte é leve. Ela canta a morte de seu amor dizendo: “Eu faria tudo de novo”. Em sua arte não há espaço para as misérias do coração.
Corinne canta blues, jazz, rock, faz cover de Led Zeppelin. E nada parece ser o bom e velho, o conhecido, o esperado. Corinne consegue se apropriar de qualquer coisa, de uma voz pequena, de uma alma grande, de estilos batidos, de músicas alheias e assim, despretensiosamente, se apropria dos corações que a ouvem.
Assista Corinne:

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